A
história de hoje é sobre coisas que gosto muito, me dedico mesmo não tendo me
formado ainda, vamos lá! Tudo começou bem cedo, mas só em 1998 comecei a
entender sobre acessibilidade, mas o termo “acessibilidade” fui conhecer em
meados de 1999 quando morei fora do Brasil durante dois anos... Voltando no
tempo comecei a ver a dificuldade que minha mãe tinha ao levar meu irmão à
escola, pois tinha que fazer um caminho longo enfrentando, buracos,
paralelepípedos, calçadas estreitas além da super ladeira para chegar ao
apartamento que morávamos na época (Rio 1992 a 1994). Depois de ver comecei a notar
essas dificuldades comigo, mas via de forma bem ingênua, quando ganhei a
cadeira motorizada em 1998 pra mim foi sinônimo de “liberdade” e tudo dava
jeito ia pela rua, grama, terra, água, mas por mais que fosse criativo não
conseguia vencer 20cm de meio fio da pracinha que era meu sonho naquele
momento!
Em
1999 já morando fora do país (EUA) aprendi que respeito é a palavra chave, um
sinônimo perfeito para acessibilidade, lá eu não só vi como vivi isso na
pratica na hora que decidi voltar a estudar a principio pra ver gente, mas tudo
mudaria a partir da simples decisão “eu quero estudar” e mesmo sendo imigrante
de origem latina e cadeirante recebi total apoio do governo local sem
questionamentos simplesmente ajudaram, até transporte, sim naqueles simpáticos
ônibus amarelos dos filmes americanos que vemos na TV. Não só a escola me
impressionou como a vida cotidiana, organização, respeito enfim um mundo novo
se iniciava pra mim, isso durou 2 anos muito intensos de aventura e
descobrimento!
Voltando
pro Brasil em 2001, sem muitas perspectivas comecei a reparar o caos,
desrespeito e humilhações que deficientes físicos sofriam alias sofrem todos os
dias para fazerem coisas simples do dia a dia... E na hora de estudar veio na
cabeça “nossa em outro país fui bem tratado já no meu sou tratado como
@#%$&” depois de meses arrumando documentos consegui entrar no CMB (Colégio
Militar de Brasília). No CMB via todos falando em vestibular daí pensei “aaa
também vou tentar, mas pra que curso?!” queria ajudar pessoas como eu que
precisam de acessibilidade, sabia desenhar, era criativo, gostava de organizar
e construções, aí que vi “Arquitetura e Urbanismo” essa era a solução, tudo o
que queria em uma só coisa, as rampas assassinas iram ser exterminadas do
Brasil! “eu viajo não repara”...
Fui
me inscrever no vestibular da UNB vi no edital que tinha uma prova especifica
para alguns cursos, o meu era um deles, e agora José, que diabos de prova era
essa! Fui atrás para saber o que se tratava eram desenhos que só na hora saberia
o que era pra fazer... Chegou o dia eu tava naquela “seja o que for pra ser”, não
é que passei! Mas o vestibular me detonou eu não tava preparado fiquei nervoso
e desandou tudo... Acabei fazendo em instituições de ensino particular,
realmente me achei fazendo Arquitetura, cada dia mais encantado apesar de alguns
que não queriam, pois eu tinha DMD blábláblá. Por indicação de uma colega da
faculdade em 2007 consegui um estagio no governo do DF para trabalhar com o que
o que ACESSIBILIDADE, tudo o que queria, iria ajudar, aprender e ganhar uma
grana porque tava difícil... Não se esqueça acessibilidade é respeito não moda!
Mais um lugar sem rampa em Brasília
