quarta-feira, 14 de agosto de 2013

DMD, hã? heim? cuma? Parte II


Vamos à parte II sem duvida foi à hora da virada de se libertar e descobrir a vida, lá por 97/98 não me recordo exatamente o ano, estávamos eu e meu irmão na nossa pequena grande bolha até que ganhamos um super presente que era uma cadeira de rodas motorizada, imagina os meus olhos brilhando como brilhantina do Jhon Travolta no filme Grease! Mas tinha um probleminha teria que ser compartilhada, o que gerou pequenas brigas, nada de mais, coisa de irmão mesmo. Isso foi resolvido com a segunda cadeira motorizada, que fazíamos as duas de carro de corrida, ralty, drift ou o que você puder imaginar que tenha motor e quatro rodas risos, morava em Brasília no Setor Militar Urbano, na vila militar meio isolada entre quartéis, ou seja, aprontávamos de mais!

Meu mundo estava ótimo, brilhante nada podia ser melhor que “brincar lá fora”, mas como nada é perfeito comecei a conhecer o lado negro da força; exclusão, falta de acessibilidade, preconceito e muitas coisas que não compreendia, não entendia porque fazer uma rampa na pracinha era tão difícil porque quando ia no cinema com minha irmã todos olhavam pra mim porque a escola não me queria entre outras coisas que me deixavam muito confuso...

Em 98 soubemos que meu pai iria ser transferido para os Estados Unidos por dois anos (logo pensei: DISNEY!). Enfim chegamos em 1999, muita coisa aconteceu naquele ano, mas o mais marcante aconteceu no inicio de Julho, 3 dias antes de viajarmos... Meu irmão estava muito gripado deitou na cama do hotel, eu estava na outra cama vendo TV comecei a notar algo estranho daí escuto “não consigo respirar” olhei ele tava roxo, logo gritei para meus pais que o levaram para o hospital só que infelizmente não resistiu e faleceu (1980 – 1999) não vou entrar em detalhes mas lembro que quando soube em meio a lagrimas disse “quem vai brincar comigo agora”, mas não adiamos a viagem e fomos na fé e coragem para recomeçar.

Eu achava que tudo continuaria igual nos EUA, mas conheci o Bruno, também com DMD, finalmente eu entendi tudo o que eu tinha e porque meu irmão havia morrido, foi meu primeiro contato com o mundo exterior e uma pessoa com traquiostomia, isso demorou porque eu era muito fechado. Nesse meio tempo decidi voltar a estudar sem muitas pretensões e acabei no Brasil fazendo Arquitetura e Urbanismo, realmente o mundo da muitas voltas, um detalhe que lá fui totalmente apoiado pelo governo local e pelos militares brasileiros em Washington DC (esqueci o nome desculpem) bom lá vivi tantas coisas que vai dar um post exclusivo...

De volta ao Brasil (Agosto 2001) percebi que o mundo não era o “american dream” dos filmes da sessão da tarde que via, resolvi usar tudo que aprendi, vivi, senti e vi nos EUA no Brasil só que não seria uma missão muito fácil, mas eu não desisti e luto pela igualdade e acessibilidade dos deficientes físicos até hoje mesmo estando um pouco restrito continuo tentando! Agora depois desse resumão da vida com DMD fica mais fácil abordar temas específicos =) muito obrigado gente o feedback esta ótimo!

 '
Casa em Brasília DF

Casa em Washington DC

Voltando ao Brasil (aeroporto JK)

4 comentários:

  1. Hoje é o seu aniversário e ler um pouco de sua história, por mais que já conheça uma parte dela, me encheu de lágrimas, mas não foi de tristeza... Não não. .. de alegria de te conhecer, de sermos amigos, de termos muito em comum... Muito além da DM! Eu tenho tanta admiração por você, tanto amor. Nossa amizade transcende as barreiras físicas... é realmente inexplicável! Te amo e Parabéns pelo seu dia, pelo seu caráter e por me aguentar... Até hoje!

    ResponderExcluir
  2. Muito legal saber um pouco mais sobre sua história.
    Vc é o meu melhor exemplo de que "quando a gente quer, a gente faz"!
    Continue escrevendo!
    Bjs

    ResponderExcluir
  3. Mais que uma história..uma lição de vida.bjs

    ResponderExcluir
  4. Mais que uma história..uma lição de vida.bjs

    ResponderExcluir